Showing posts with label spiralling. Show all posts
Showing posts with label spiralling. Show all posts

Tuesday, February 12, 2008

this is a low, but it won't hurt you.

'So when I'm lost in a crowd I hope that you'll pick me out. Oh, how I long to be found! The grass grew high I layed down. Now I wait for a hand to lift me up help me stand, I've been laying so low... don't wanna lay here no more. Don't wanna lay here no more. Well, if everything that happens is supposed to be, and it's all predetermined, can't change your destiny... guess I'll just keep moving. Some day, maybe, I'll get to where I'm going.'

Que onde é e o que é, não sei. Hoje é daqueles dias em que desistir me parece a solução mais racional, embora saiba que é a mais irracional de todas. Ou é? Há lugares em mim que me assustam revisitar, e ultimamente tenho estado permanentemente num deles. Aquele que aperta a garganta e o peito todos os dias e me faz gritar para dentro. Não gosto do que sou, do que me tornei. Aliás, penso que não me tornei em nada. Não consegui nada de palpável, e neste ponto da situação nem sei se vou conseguir. E o que dói mais é que já tenho maturidade suficiente para deixar de atirar as culpas para cima dos outros - a culpa disto é minha, minha, e só minha. E porque é que não arranjo maneira de mudar isto, é algo que me baralha. Enfim. É só mais um daqueles dias passados na cama.

Thursday, January 24, 2008

the picture's far too big to look at kid

Há vezes em que alguma informação devia permanecer com as pessoas que a têm. Não vejo o porquê da necessidade de abrir a boca e de abalar um caminho que já de si se tem vindo a revelar tortuoso. Estava quase, quase lá; a barreira do ódio estava mais sólida do que nunca, a casca da indiferença já estava a endurecer. Até que algo que não devia ter sabido ainda conseguiu deixar a sua marca. Compreendo que digas que nunca aconteceu nada, isso ainda é o menos. Mas foi a sério, e tu sabes que foi. Mesmo quando já tinha aceite o facto de nada daquilo ter importado, de ter andado a fazer figura de estúpida durante umas semanas... afinal para ti também era mais do que isso. E saber isso abalou um bocado a confiança. Veio instalar-se no subconsciente e fazer com que sejam as horas que são e estar aqui mais acordada do que nunca, com uma sensação de nostalgia a congestionar-me o peito, a lembrar-me do que acabei de sonhar, a lembrar-me daquela noite, naquele restaurante, a minha coragem em dar o primeiro passo em direcção a algo que ia ser uma das experiências mais esmagadoras da minha vida ainda curtinha (felizmente). Se realmente era algo mais do que um passatempo para ti, então porquê?!

Depois disto há muito pouca coisa que me consiga deitar abaixo, pelo menos da maneira que me deitava abaixo antes. Nunca pensei que mais uma vez a mesma coisa me fosse acontecer, que a minha confiança em alguém fosse de novo testada daquela maneira. Não sei se estou completamente à vontade com o "eu" que voltou a surgir depois de tudo ter (quase) passado, mas penso estar ligeiramente orgulhosa de ser um "eu" muito mais céptico e difícil de se surpreender. A verdade é que já ultrapassei quase tudo, relativamente a esta história. Mas ainda há resquícios suficientes para que uma simples informação consiga deixar as coisas voltar atrás um bocadinho.

The phone slips from a loose grip
Words were missed then, some apology
Like "I didn't want to tell you this - no, it's just some guy she's been hanging out with...
oh, I dunno, the past couple of weeks I guess.
"Thank you", and hang up the phone
Let the funeral start, hear the casket close
Let's pin split black ribbons to your overcoat
Still laughter pours from under doors in this house
I don't understand that sound no more
Seems artificial like a TV set.
Haligh, haligh, a lie haligh
This weight it must be satisfied
You offer only one reply
You know not what you do.
As you tear and tear your hair from roots
Off that same head you've twice removed a lock of hair
You said you'd prove our love would never die.
Well... ha, ha, ha.
I remember everything...
The words we spoke on freezing South street
And all those mornings watching you get ready for school
You combed your hair inside that mirror
The one you painted blue and glued with jewelry tears
Something about those bright colours would always make you feel better.
But now we speak with ruined tongues and the words we say aren't meant for anyone.
It's just a mumbled sentence to a passing acquantaince...
But there was once you!
You said you hate my suffering, and you understood
And you'd take care of me... You'd always be there...
Oh, where are you now?
Haligh, Haligh, a lie, Haligh
The plans were never finalized
But left to hang like yarn entwined, dangling before my eyes
As you tear and tear your hair from roots
Off that same head you've twice removed
A lock of hair you said would prove our love would never die.
And I sing and sing of awful things
The pleasure that my sadness brings
As my fingers press onto the strings you get another clumsy chord.
Oh Haligh, Haligh an awful lie!
This weight will now be satisfied!
I'm gonna give you only one reply: I know not who I am!
But I talk in the mirror to the stranger that appears
Our conversations are circles, always one-sided
Nothing is clear...
Except we keep coming back to this meaning that I lack
It says the choices were given, now you must live them.
... Or just not live...
... but do you want that?

- Bright Eyes, "Haligh, Haligh, A Lie, Haligh", Fevers and Mirrors.

Tuesday, December 4, 2007

so imagine what you want...

São 2:42 da manhã. Geralmente, a esta hora, para além do sono que esteve comigo o dia todo se ter dissipado por completo, estou no meu estado mais vulnerável. Quando tenho companhia, dá-me para falar incessantemente; mas em noites como esta, dá-me para a disposição completamente oposta. Vi fotografias do primeiro ano no Porto, e algumas do segundo... e alguns vídeos do segundo. Para além das diferenças gritantes, tenho umas saudades enormes daquelas noites de tédio no café com um bloquinho e um Favaíto ao lado, a conversar com pessoas que já não estão comigo e a azucrinar a pessoa do costume. Sinto falta dela, de como pressentia quando as coisas não estavam bem e quase me arrastava pela manga do casaco até casa dela e me deixava ficar ali descontroladíssima no sofá, a ver porcaria na televisão, com ela a dizer parvoíces para me pôr a rir e a fazer-me chá. Sinto falta daquela força de viver que ainda hoje é a L. Mesmo já não mantendo contacto, olho para ela como um exemplo a seguir, de alguém que perdeu muito na vida mas nunca abandonou o bom humor, a boa disposição e a força de vontade. Foi um primeiro ano de experiências que nunca tinha pensado conseguir alcançar, de um estilo de vida completamente despreocupado, influenciado pelas pessoas de teatro, de deixar as coisas fluir com calma e aproveitar as horas, os minutos, o que fosse. Até que a minha velha companheira me voltou a bater à porta.

Não sei como é suposto conseguir continuar e ter força de vontade quando tenho o passado insistentemente a dar-me estaladas na cara todos os dias. Todos os dias não; todos os dias quando estou

lá. Quando não estou, é a angústia de não estar e de estar a levar a minha vida outra vez para o fundo, com pessoas a atirarem-me cordas mas sem saber qual escolher, para onde ir, o que fazer. Mas custa-me mundos estar lá e ver que a vida continua sem mim. Que uma relação que eu idealizei demasiado já não existe por razões que eu não sei quais são, e que uma coisa que eu desejei tanto e que quase tive, de um dia para o outro acabou. Ver como as pessoas mudam, como as coisas mudam, como a vida muda... como todos mudam, mas como eu fico sempre no mesmo sítio, a vê-los mudar. Sei que fico no mesmo sítio porque não faço nada para sair de lá, mas que posso fazer? Custa-me demais. Sinto a nossa falta, daquelas horas de almoço sem fazer rigorosamente nada, mortos de tédio mas sem coragem de assumir isso porque estávamos a fazer companhia um ao outro. Da confiança, do motivo para me levantar todos os dias e pensar que afinal as coisas não eram tão más como sempre as imaginei, que secalhar até podia ser que viesse a ter sorte. Tive-a durante uns meses. Depois, veio esta merda outra vez.

Com este fluxo de pessoas que vieram e que foram, posso dizer com toda a certeza que só uma é que esteve intermitentemente presente durante estes (quase) três anos. E obrigada.

São 2:54 da manhã. Daqui a quatro horas, supostamente, tenho que estar a pé. Mas já sinto aquele dilema entre a parte boa e a parte má e não sei se vou conseguir. Isto é uma coisa curiosa. Vem sempre quando uma pessoa menos espera, pelos motivos mais abusrdos. Talvez porque nunca se foi embora. Esteve sempre lá à espreita de um momento de fragilidade, de vulnerabilidade. E possui-nos de novo por completo, e tudo deixa de fazer sentido outra vez. Gradually, then suddenly.

'If a body meet a body coming through the rye'

Hoje de manhã ia calmamente em Cedofeita, a tentar bloquear aquele frio matinal que parece que gela os pulmões e nos limpa por dentro, quando de repente me lembro do Holden Caulfield, de quando foi expulso do colégio mas tentou adiar ao máximo contar aos pais, e por isso passou uns dias a vaguear por Nova Iorque completamente à deriva. Vi-me a fazer isso, se o pior acontecesse. Ficar cá a dizer que sim senhor só para ... para nada, basicamente.
'Don't ever tell anybody anything. If you do, you start missing everybody.'
J.D Salinger, The Catcher In The Rye
[reverências]

Friday, November 23, 2007

you do it to yourself, you do.

É um ciclo vicioso. Deitar tarde, último pensamento da noite ser que no próximo dia não apareço, acordar a horas na manhã seguinte e virar-me para o outro lado. Ficar até às 15h. Passar o resto do dia num estado apático por ter dormido tanto, só para voltar a encontrar a insónia à minha espera outra vez. É uma situação de "a tua vida está caótica porque tu a fazes estar caótica". É o ter plena consciência disso, mas não fazer nada para mudar porque me falta um motivo. Alguma coisa de força maior, que puxe por mim agora. Tenho objectivos, é certo que os tenho, mas faltam oito meses... não é algo de imediato que me faça agarrar isto e acabar o curso de vez. Tenho que dar a volta, vencer isto. Tem de ser, tem de ser, tem de ser. Depois são os sonhos. Os pesadelos. O sonhar que a minha família está em perigo ou qualquer coisa semelhante, e acordar encharcada em suor com o coração na garganta e descobrir que ainda estou aqui. Longe.
As coisas vão ter que mudar, e é já para a semana. Vou-me espalhar à força toda nas próximas avaliações, mas sei que consigo recuperar. É um dado adquirido que consigo. É só acreditar um bocadinho em mim e levar uma injecção de positivismo e tudo volta a correr bem (sim, isto agora é a parte teórica).
É ter uma coisa que não me sai da cabeça e eu queria muito que saísse porque isto não pode mesmo ser.

Wednesday, September 12, 2007

just keep stretching the antenna hoping that it will come clear

The picture's far too big to look at, kid. Your eyes won't open wide enough.
And you're constantly surrounded by the swirling stream of what is and what was.
We all made our predictions but the truth still isn't out.
So if you wanna see the future go stare into a cloud.

And keep trying to find your way out of that maze of memories.
It all sorta looks familiar, until you get up close and then it's different. Clearly.
But each time you turn a corner you're right back where you were.
And your only hope is that forgetting might make a door appear.

Is it your fear of being buried that makes you so afraid to speak?
An avalanche of opinions like the ones that fell that I'm now underneath.
It was my voice that moved the first rock... and I would do it all again.
So I mean, it's cool if you keep quiet but I like singing.

So I'll be holding my note and stomping and strumming
... and feeling just so very lucky.
And there is nothing I know, except this lifetime's one moment
And wishing will just leave me empty.

So you can try and live in darkness, but you will never shake the light.
No, it will greet you every morning, it'll make you more aware of its absence at night
When you're wrapped up in your blankets, babe... that comfortable cocoon.
But I've seen the day of your awakening and it's coming soon.

So go ahead and lose yourself in liquor, and you can praise the clouded mind!
But it isn't what you're thinking, no, it's the course of history, your position in line.
You're just a piece of the puzzle, so... I think you'd better find your place.
And don't go blaming your knowledge on some fruit you ate.

'Cause there's been a great deal of discussion about the properties of Man.
Animal or angel? You're carved from bone but your heart is just sand and the wind is gonna scatter it.
And cover everything with love.
So if it makes you happy then keep kneeling, Mama, but I'm standing up.

Because this veil it has been lifted, yes.
My eyes are wet with clarity.
I've been a witness to such wonders, I've searched for them all across this country.
But I think I'll be returning now to the house where I was born.
And I understand you must keep moving, friend, but I'm headed home.

I'm gonna follow the road and let the scenery sweeping by easily enter my body.
I'll send you all this message in code...
Underground, over mountains, through forests and deserts and cities.
Across electric wires, it's a baited line.
The hook's in deep, boys, there's no more time.
So you can struggle in the water, be too stubborn to die, or you can just let go and be lifted to the sky.


Saturday, August 18, 2007

To you

«Once I gave a look to you but you never gave it back. So here I stand, expressionless, but my memory's intact.
I guess the past is good for a laugh, a comedy so dry and black that it makes my stomach hurt so bad.
I cried, so two thumbs up we give this one...
Despite it's predictable ending, the dialogue seemed rushed and wrong but the actors did their best to place some worth on every word, like coffins dropped into the earth, the saddest song we ever heard, we sang along, we sang it: take this weight away, take this weight away...»

Black Comedy, B.E./Neva Dinova
There I will stand, expressionless, but my memory will be intact.

Wednesday, August 1, 2007

Always coming second best

"... a visita teve mais aspectos negativos do que positivos, mas não vou mencioná-los, visto que posso criar mais problemas."


____ _____ , 8ºD, nº 18
"Devemos sempre referir todos os aspectos, negativos e positivos. Quanto mais não seja para podermos tentar fazer melhor na próxima vez."
Se não fosse esta pessoa, não tinha aguentado o Secundário. Este papelinho saltou-me para as mãos enquanto rebuscava caixas antigas, a seleccionar o que deitar fora ou não (tarefa que sempre detestei fazer, porque, por mim, guardava sempre tudo, desde o trabalho mais importante até à conta de restaurante mais ranhosa). Foi parte do relatório da pior visita de estudo da minha vida. O criar problemas hoje parece-me uma preocupação estúpida, visto na altura já não poder estar numa situação pior ainda. Tenho muito, muito que agradecer a essa professora, por sempre se ter mantido firme e por ter sido a única a acreditar em mim.
O Rufus Wainwright vem cá dia 18 de Novembro, mas ainda não sei o que fazer. Para variar um bocadinho, mas desta vez tem a sua razão de ser. É a dúvida entre querer gastar 25€ para ouvir músicas antigas ou não. Porque pelo Release The Stars não vou. Mas quase, quase de certeza que estou lá.
Quanto ao resto.



Mais tarde escrevo uns rabiscos quaisquer. Estou demasiado metida no meu passado para raciocinar coerentemente.

Friday, June 1, 2007

No Stars

I saw the devil in a dream.
He wore a three-piece suit and was smiling.
He promised every living thing to me.
And when the land was all despair.
He made water spring from everywhere.
Until the black hills turned back to green.

And then heat was tipping and smoke was spilling
They poured out into the street.
And I was frightened by my fearlessness to be engulfed by everything.

And what I knew was left behind.
There were no stars, or a wish, to find.
And there was nothing in my clenching fist
And I just can't wait for tomorrow
Cause I will let go-
Just ask me.
Maria Taylor, "No Stars".

Cada vez que ouço o Lynn Teeter Flower, mais gosto. Não tanto pelas letras, que são boas mas não são aquela coisa que nos prende logo, logo (embora a Lost Time me tenha ficado logo na primeira vez que ouvi); aliás, não é por nada em particular. É pelo todo. E sobretudo pela voz dela, que já tinha ouvido várias vezes com Bright Eyes, mas que nunca me tinha apercebido de quão bonita conseguia ser. Lame! Tenho que arranjar o 11:11. Aliás, o Boxer de The National também tem feito parte dos meus dias; ou seja, os dois que pus de seguida no outro dia tem estado em repeat constantemente. Talvez por ser tão calmo, tão fantástico e simples ao mesmo tempo, no caso de National aliados a alguma carga emocional e àquela voz quente, quente. Combina perfeitamente com o meu estado de saturação e desejo de atingir um estado zen em que já nada me atinja. Não confundir com apatia. Penso que nos tornarmos apáticos não resolve nada; é melhor para nós, mas em termos de relações sociais e tudo o que obrigatoriamente, e por vezes, infelizmente, tem que fazer parte dos nossos dias só estraga. Só quero deixar de estar cansada, de me doer a cabeça de manhã à noite e de ter tonturas fortíssimas que me fazem deitar às 21h. Um bocadinho de paz de espírito e, sobretudo, de bom ambiente. Leve. E vou fazer por isso, custe o que ainda custar.

Ando com umas filosofias de vida dignas de folhetins, daqueles lamechas que davam na rádio ou vinham nos jornais. Deve ter sido por me ter posto a ler tópicos antigos, de 2005, quando tinha 19 anos e me achava superior, indiferente e badass quando na verdade até era bem tolinha. O que me pôs a pensar no tempo. E que em menos de dois anos me tornei numa pessoa completamente diferente. Não sei se bom, se mau, mas bem, o Porto fez-me bem nesse sentido. O próximo passo é deixar de gastar dinheiro a rodos em coisas necessárias mas que me fazem mal às finanças. Bilhetes de comboio. Almoços. Comida. Casa. Instituto. Comida. Bilhetes de comboio. Que agora aumentaram para 27,50. Doçura de CP. Quero ver como vou ficar depois do Alive, mas que se dane, também estas coisas acontecem para serem aproveitadas. Ao menos não morro estúpida.

Tuesday, May 15, 2007

now there's never gonna be an intermission

Há um filme chamado Intermission que conta a história de várias personagens que até um certo dia, tinham vivido as suas vidas de maneira tal. Ora chega a uma altura em que algo acontece e eles deixam de viver as vidas daquela tal maneira. E as vidas deles ou ficam sem sentido ou mudam completamente e eles dão por si a fazer coisas que nunca pensaram a fazer. O que é que acontece?

Passado um tempo tudo volta a ser como dantes, tudo volta ao ponto de partida. O que aconteceu foi só um pequeno intervalo. Porque volta sempre tudo ao mesmo.


Saturday, May 12, 2007

I'm gonna give you only one reply: I know not who I am
But I talk in the mirror to the stranger that appears,
Our conversations are circles, always one-sided
Nothing is clear.
Except we keep coming back to this meaning that I lack
Says the choices were given, now you must live them
... or just not live.



But do you want that?

Tuesday, April 24, 2007

Only word that I can say...

Embora isto não vá ter muitas pessoas a ler - tanto por opção como, bem, pela voz da experiência - quero desde já frisar que a nível pessoal isto vai ter muito pouco ou nada. Claro que de vez em quando algo há-de vir ao de cima, mas sempre associado com outras coisas. Sim, este vai ser um blog de coisas. Precisava mesmo de acabar de vez com os três enfadonhos anos do Windmills e começar qualquer coisa nova sem aquele estigma de três anos péssimos. Não que as coisas vão melhorar por causa disso, mas... é como se diz. Tem que se começar por algum lado. Portanto, este vai ser o primeiro, e espero eu o último durante uns tempos, post pessoal.

Hoje tive um dia como não tinha há muito, e o mais ridículo é que começou por uma coisinha de nada. Aliás, começa tudo por uma coisinha de nada, parece. Parece que bastou ter uma percepção geral, um reflexo mínimo, insignificante, para qualquer coisa de muito maior desmoronar, romper, o sinónimo que fique melhor. O que me vale é que depois destes anos todos já tenho a casca grossa, já me vou sabendo adaptar a este tipo de coisa, já sei o que me convém e o que não convém. O problema é que isso é tudo em teoria. Tudo bem, tenho que me sentir bem comigo mesma. Também há aquela frase bonita de sermos incapazes de amar quando não nos amamos a nós próprios - embora eu isso, sinceramente, acho treta. Até acho que quando nos detestamos até à ponta do pêlo mais insignificante temos mais facilidade de nos prendermos à mínima pessoa que nos ofereça uma mão e segurança e estabilidade. Mas simplesmente, não consigo. Não sei porquê, mas não consigo. Parece que por mais que tente, por mais que mude, por mais coisas que tente fazer para tentar abafar isto, está sempre qualquer coisa cá presente. Um aperto muito ténue, uma dor muito ínfima ou um aperto na garganta que tentamos disfarçar com risos forçados. Que à mínima coisa - um reflexo, como disse - dão de si.

E não é por culpa de ninguém. É de mim. Sou assim há tempo de mais para conseguir mudar. Por mais que mude e por mais estável que esteja, esta parte de mim há-de estar sempre á espreita, à espera de uma oportunidade de entrar outra vez de rompante na minha vida e me deixar vazia, sem nada, sem esperança, cheia de uma humilhação sem motivo e de um imenso desprezo e indiferença por quase tudo o que está à minha volta. E detesto isso. Mas foi só hoje. Já gastei tudo o que tinha para gastar e amanhã vai ser melhor. E depois. E depois e aquela sucessão de dias monótonos.

Enfim, chega. No livro que estou a ler diz-se qualquer coisa como a vida ser uma tragédia mas tragédia maior é termos apenas esta. E é mesmo assim. Tomamos a longevidade por garantida sem podermos. Portanto, vá. O que for, tem de ser. E hei-de cá estar para isso. Com vestígios do que fui e do que sou por todo o lado, mas estou. Sinto, respiro.

Fim do único post pessoal. Podia ter feito daqueles posts inaugurais completamente estúpidos género "blog novo hihiihihihihihi", mas não, eu vou pelo lado mais deprimente de tudo. Embora o post experimental fosse só "manamana tututururu".